Um dos melhores passeios para se fazer a partir de Ouro Preto são as Minas da Passagem.

É uma antiga mina de extração de ouro – segundo informações deles é a mais antiga -, que fica localizada entre Ouro Preto e Mariana.

Trata-se de um passeio imperdível para viajantes de todas as idades, pois é uma aventura fantástica ao centro da terra e de volta ao passado. Assim que ingressamos, pegamos um carrinho – que segundo nosso guia tinha 130 anos! -, que dá acesso às minas, o que já achamos bem divertido!

img_1514Após o ingresso na boca da mina, percorremos alguns metros no carrinho – é possível ver diversas galerias que foram abertas quando a mina ainda estava ativa -, até chegarmos ao destino final a 120 metros de profundidade. Lá a temperatura se mantém sempre entre 17°C e 20°C.

Fomos recepcionadas por Antônio – um excelente guia -, que nos contou um pouco da história da mina, de como era extraído o ouro, da vida dos escravos e nos ensinou a origem de várias expressões que decorrem dessa época e que ainda são muito utilizadas, tais como:

  • Trabalhador de meia tigela: decorre do fato de que os escravos apenas recebiam, por dia, uma tigela de angú como refeição. Contudo, acaso ele não “enchesse o bucho” que significava preencher com ouro um buraco que existia nas galerias para cada escravo, ele apenas recebia meia tigela naquele dia;
  • Lavar a égua: na tentativa de comprar sua alforria, muitos escravos escondiam ouro na pele, nos cabelos, na boca, chegavam a comer ouro para depois retirá-lo das fezes, bem como enchiam o pelo das éguas com ouro também, sendo que ao final do dia, quando deixavam a mina, eles pediam para “lavar a égua”, para retirar o ouro escondido;
  • Conto do vigário: se refere ao fato dos padres prometerem a liberdade aos escravos, mesmo sabendo que era impossível, em troca do ouro que eles conseguiam esconder;

Essas são as que lembramos… Hahahahahaha.

Ele ainda explicou para a gente que a mina foi fechada definitivamente quando eles estavam retirando apenas 4 gramas de ouro para cada tonelada de pedras.

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Não se tem muita ideia de quanto ouro foi retirado de lá, porque havia muita sonegação – afinal, estamos no Brasil 😉 -, mas, estima-se que foi algo por volta de 35 toneladas de ouro, cuja maior parte teria sido retirada pelos ingleses – advinha quem financiou a Revolução Industrial deles?

O Antônio nos contou ainda que, supostamente, devido a essa forte presença dos ingleses em Minas Gerais, o “uai” dos mineiros teria vindo do “why?” dos gringos, que estavam tão preocupados em intercambiar cultura – só que não -, que nem o inglês eles ensinaram aos nativos.

Hoje, apenas é possível chegar a uma profundidade de 120 metros. A mina chegou a uma profundidade de 240 metros, ocorre que boa parte foi inundada em decorrência da perfuração de lençóis freáticos, quando da exploração da mina.

Desse fato, decorre, inclusive, a existência de um lago extremamente cristalino que pode ser visto pelos visitantes, bem como a possibilidade de mergulhadores profissionais explorarem as galerias submersas da mina – imagina que legal, ficamos mega imaginando como deve ser incrível e ao mesmo tempo aterrorizante fazer esse mergulho, justamente por isso apenas mergulhadores profissionais com experiência em mergulho de caverna podem fazê-lo, guiados por uma guia local e pelas cordas de localização.

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Além dos 240 metros de profundidade a mina tinha 35km de extensão, o que dá para ter uma ideia de quanto ouro não deve ter saído de lá – acho que está na hora de termos um acerto de contas com a Coroa Inglesa… kkkkkk.

Após o retorno, é possível visitar o Museu da Mina que possui alguns objetos da época do Ciclo do Ouro. Há ainda uma lojinha de artesanatos ao lado do Museu. Há também um restaurante que estava fechado para reformas.

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O passeio é muito interessante e vale muito a pena, pois além de ser surpreendente conhecer a mina, também é muito legal aprender um pouco da história local.

 

Como chegar nas Minas da Passagem

 

É possível fazê-lo de carro próprio, com algum dos guias que ficam na Praça Tiradentes – à caça de turistas, como eles mesmos brincam -, com alguma agência de turismo, ou, de ônibus.

Acaso opte por ir de ônibus, você deve pegá-lo num ponto de parada que fica a alguns metros à direita, após o Centro de Apoio ao Turista da Praça Tiradentes.

Em setembro de 2016, o ônibus custava R$ 4,15, cada viagem. Quando você subir no ônibus, informe ao cobrador ou ao motorista que está indo para a mina e eles irão avisá-lo quando chegar no ponto.

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A mina fica, literalmente, do outro lado da rua do ponto de ônibus, você descerá em frente a ela.

 

Informações sobre as Minas da Passagem

 

Um pouco antes da entrada, há uma casinha na qual são vendidos os bilhetes, que, em setembro de 2016, estavam custando R$ 60,00 inteira e R$ 30,00 meia entrada para estudantes com comprovante, professores, crianças e idosos. Mas, vale cada centavo.

Horário de visitação: segundas e terças de 9 às 17 horas, e quartas a domingos de 9 às 17:30 horas.


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